domingo, 4 de dezembro de 2016

A imagem do próprio Deus

João 14.1-11

"Não se perturbe o coração de vocês. Creiam em Deus; creiam também em mim.
Na casa de meu Pai há muitos aposentos; se não fosse assim, eu lhes teria dito. Vou preparar-lhes lugar.
E se eu for e lhes preparar lugar, voltarei e os levarei para mim, para que vocês estejam onde eu estiver.
Vocês conhecem o caminho para onde vou".
Disse-lhe Tomé: "Senhor, não sabemos para onde vais; como então podemos saber o caminho? "

Respondeu Jesus: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim.
Se vocês realmente me conhecessem, conheceriam também o meu Pai. Já agora vocês o conhecem e o têm visto".
Disse Filipe: "Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta".
Jesus respondeu: "Você não me conhece, Filipe, mesmo depois de eu ter estado com vocês durante tanto tempo? Quem me vê, vê o Pai. Como você pode dizer: ‘Mostra-nos o Pai’?

Você não crê que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu lhes digo não são apenas minhas. Pelo contrário, o Pai, que vive em mim, está realizando a sua obra.
Creiam em mim quando digo que estou no Pai e que o Pai está em mim; ou pelo menos creiam por causa das mesmas obras.
João 14:1-11

De uma forma bem simples podemos comprovar como o homem tem um sério problema de comunicação. 

Jesus, a esta altura, já estava com seus discípulos por um período bem longo, faltava já pouco tempo para que ele estivesse perante Pilatos.

Mas podemos notar como ainda faltava para eles entenderem os ensinos do Mestre. Eles estavam ainda focados no messias salvador do povo judeu, um salvador político. 

A comunicação é crucial para o ser humano, fomos criados seres sociais, fomos criados uns para os outros, fomos criados para conviver, para amar uns aos outros. Afinal isso é ser igreja.

Mas se comunicar é uma coisa bem mais complexa do que aparenta ser. Não pela comunicação em si. Falar é muito simples, mas nem é fácil passar a mensagem que desejamos e sermos corretamente compreendidos.

Isso acontece, em parte, pelo fato de não nos comunicarmos apenas com o que sai de nossa boca, isso de fato é a menor porção. Falamos com todo o corpo, mesmo não sendo italianos, que são conhecidos por gesticular muito.

A fala só cumpre sua função quando somos corretamente entendidos, de que adianta falar se ninguém entender?

Vemos nesse trecho, o quão difícil é ser compreendido, nem Jesus conseguiu isso de primeira. Não por uma deficiência dele, mas dos discípulos.

Nós sofremos o mesmo mal. Muitas vezes não conseguimos entender corretamente o que nos é dito, seja por outra pessoa e muito menos por Deus.

Sofremos de um terrível deficit de atenção. Estamos sempre tão preocupados e tão cheios de opiniões que temos muita dificuldade em ouvir o outro. E lógico não conseguimos ouvir a Deus.

Um cantor disse assim:

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus
...

Se eu quiser falar com Deus
Gilberto Gil

Os discípulos já sabiam o que queriam, queriam o salvador político de seu povo. 

Mesmo tendo andado por todo aquele tempo com Jesus, ainda não tinham entendido que Jesus os estava levando a um outro nível de espiritualidade.

Longe dos dogmas, dos rituais, dos dias sábado. Era preciso ter a alma e o corpo nu,como disse Gil, no mesmo sentido do que disse Jó: Nu saí do ventre de minha mãe, e nu tornarei para lá. O Senhor deu, e o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor. 

Para ouvir a voz de Deus, e entendermos, precisamos estar em primeiro lugar dispostos a isso, os discípulos  já tinham um padrão em mente, assim como nós quando oramos e já colocamos para Deus a solução para o problema, Senhor me dá um emprego, estou passando dificuldades, minha despensa está vazia!. A solução é a primeira coisa.

Mas o que Deus está tentando comunicar?

Jesus não se comunicava apenas de uma forma direta, falando, mas cada palavra que ele dizia e cada gesto demonstrava seus ensinos, viver como Ele.

Nada em nossa vida é em vão, cada experiência serve para nos ensinar algo.

Tomé estava diante do próprio caminho, e ainda estava tentando achar, Felipe diante do próprio Deus ainda queria vê-lo.

O caminho é seguir os passos, imitar o Mestre, e para ver Deus, precisamos olhar para a única imagem de si que Ele deixou na Terra, o ser humano feito à imagem e semelhança dele.

Não podemos nos calar enquanto ainda houver, um irmão humano passando fome, sofrendo injustiça, sendo discriminado. Esse é o caminho, esse é o ensino do Cristo.

O bem mais importante e que mais deve ser valorizado pelo ser humano é a vida humana, imagem do próprio Deus.

E num dia como hoje quando nos deixou o grande poeta Ferreira Goulart, com ele termino.

"Dois e Dois são Quatro"

Como dois e dois são quatro 
Sei que a vida vale a pena 
Embora o pão seja caro 
E a liberdade pequena 
Como teus olhos são claros 
E a tua pele, morena 
como é azul o oceano 
E a lagoa, serena 

Como um tempo de alegria 
Por trás do terror me acena 
E a noite carrega o dia 
No seu colo de açucena 

- sei que dois e dois são quatro 
sei que a vida vale a pena 
mesmo que o pão seja caro 
e a liberdade pequena.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

A revolução que a missão pode causar

Missão --> Revolução
Missão seria algo a fazer, uma obrigação, ordem.
No contexto evangélico temos aprendido que missão é pregar o evangelho, principalmente em outro lugar, na maioria das vezes distante. Dentro dessa perspectiva a missão se torna algo para pessoas específicas, especiais, escolhidos. Aí entra a figura, por muitos cultuada, do missionário.
Temos aqui um grande equívoco evangélico, a missão se torna algo para poucos.
Isso é parte de algo maior, uma mania incrível que temos de separar as coisas em grupos isolados e incomunicáveis. É como se tivéssemos que separar tudo que temos contato em caixas, e uma vez encaixotado não se pode ser novamente selecionado ou trocado de caixa.
Isso é algo muito comum na história do cristianismo e na própria história do homem, temos o clero e o povo, o puro e o impuro, o santo e o secular, temos o caso da música a do mundo e a de Deus. E nossa vida está impregnada desta noção e então temos nossa vida na igreja e nossa vida fora dela, chegando a isso nos tormanos meio que bi- polares, como aquele menino que queria que o sua casa fosse dentro da igreja, visto que seu pai ali era um bom pai mas em casa seria algo não tão de acordo com os princípios cristãos.
Assim como na física onde o ponto de vista pode mudar toda uma observação, assim também é nesse assunto. Temos que mudar essa forma de ver a missão para que de fato possamos entender a possível revolução dela decorrente.
Missão é viver o caminho aberto por Cristo, não só pregar, falar palavras bonitas que afagam o coração, mas viver os ensinos dEle. Tem como base viver nossa vida da mesma forma como Ele viveu a sua nessa Terra. Jesus viveu sua missão em todos os momentos aqui, desde pequeno já sabia o porquê de estar aqui.
Sua vida era missional.
Sua vida era sua missão e sua missão era sua vida.
Isto é, em nosso viver diário ter vidas pautadas pelo evangelho, na ética, na honestidade, sendo capazes de chamar o mal de mal e o bem de bem, sem uma visão afetada e distorcida. Assim Ele viveu e assim nos convida a viver.
Os ensinos de Cristo devem estar latentes em todos os aspectos de nossa vida.
Ao refletirmos  a verdade do evangelho, mesmo sem palavras, uma revolução é iniciada uma revolução que começa silenciosa dentro de nossos corações, uma revolução na nossa vida, na história, na cultura, na sociedade.
Ao vivermos assim anunciamos que há um caminho melhor, uma alternativa. Isso é revolução.
O Cristo mudou a história e continua revolucionando hoje, através de cada um de nós que o conhece e trilha o mesmo caminho que Ele, na contramão do sistema estabelecido, mas em busca de uma forma superior de viver, com mais amor, mais igualdade, mais verdade.
A revolução que missão pode causar? Os resultados são imensuráveis.
Mas só se torna real quando encarnamos a missão em nosso viver, em cada aspecto, em cada passo, em cada palavra, em cada olhar.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Manter o alvo


Há alguns anos eu e minha esposa fizemos um acordo. Eu estava desempregado e numa luta por um emprego, msa as perspectivas não eram muito animadoras, não iria conseguir um emprego com um bom salário seria apenas mais um emprego para ajudar mas nada definitivo. Ela tem um excelente emprego como funcionária pública, um salário mais que suficiente para nós e nossa filha.

Nesse momento conversamos sobre a situação e de como seria difícil e até onde chegaria com um emprego e chegamos a conclusão de que queríamos mais, nesse momento fizemos um acordo eu ficaria em casa me dedicando aos estudos para concursos públicos e a nossa filha então com meses, pois é foi uma decisão bem difícil mas tomei este caminho em acordo com ela.

Passei momentos muito difíceis, onde por pouco não desisti, mas continuei. Passei inclusive a viajar para fazer provas em outros estados, e numa dessas viagens já no aeroporto para pegar o vôo de volta fique pensando comigo mesmo se era isso mesmo o que eu queria, nesse momento fiz uma sincera oração em meu coração sem palavras nem formalidades nem olhos fechados apenas eu e Deus, então pedi a Ele que permitisse achar um concurso no meu estado, um em que eu tivesse uma vantagem, e usei como exemplo o fato de ter feito segundo grau técnico em edificações.  E o tempo passou e eu sempre tive isso em mente, mesmo sem acreditar muito mas há alguns meses eu me deparei com um concurso para prefeitura onde um dos cargos era justamente o de técnico em edificações, parti pra dentro deixei tudo de lado, pedi compreensão a minha esposa e estudei muito. E o resultado foi 7 colocado.

As vezes até esquecemos nossos pedidos a Deus mas no momento certo a resposta vem. Só precisamos manter o foco naquilo que queremos, naquilo que Deus coloca em nosso coração só precisamos manter o alvo e confiar mesmo que pareça que nada está acontecendo.

E posso afirmar que com certeza o acordo feito com minha esposa foi primordial não só pelo tempo mas também por ter agradado a Deus. No casamento nem sempre é fácil dicidir em conjunto, temos a tendência de decidir cada um da sua maneira, mas quando conseguimos fazer assim Deus abençoa e tudo fica mais fácil.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Usar o que se tem

Antes de sair de casa sempre me certifico de que estou levando meu celular, minha carteira com os documentos e quando possível levo algum dinheiro, se saio com minha scooter levo as chaves e os seus documentos, e sempre levo a chave do apartamento. Essas atitudes fazem parte da minha preparação para sair de casa, cada elemento é necessário para executar a tarefa de sair de casa.

E no nosso dia a dia várias vezes temos que fazer coisas semelhantes a estas, precisamos estar preparados para o que vamos fazer, mas a verdade é que nem sempre temos os instrumentos que desejamos, mas temos em nossas mão outros que são suficientes para fazer a mesma coisa, por exemplo gostaria de ter uma moto estilo harley davidson, uma verdadeira estradeira, mas só tenho a minha scooter que embora não seja tão potente me leva onde preciso, e mesmo que não a tivesse poderia ir a pé ou de ônibus, a mesma coisa só que feita com outro instrumento.


Vejo muitas pessoas que dizem querer fazer muitas coisas e dizem que só não fazem porque não tem os instrumentos, mas o fato é que temos que usar os instrumentos que temos não adianta dizer: “Ahhh! Se eu tivesse um ….”, quando Moisés diante do Mar Vermelho clamou a Deus porque o faraó os perseguia Deus disse “Porque clamas a mim...”, o povo deveria marchar e ele já tinha o instrumento que ele precisava o cajado, não precisava de mais nada, conforme relatado em Êxodo 15.15.

Nós precisamos ter em mente que seja lá o que Deus quer que façamos, devemos nos mexer e começar a fazer, se algo nos falta Deus nos providenciará, se é que já não providenciou tudo e nós nem sequer notamos. Precisamos aprender a trabalhar com o que temos e não ficar chorando pelo que não temos.


É como o caso da viúva no Livro de Jeremias, ela só tinha um pouco de azeite mas Deus abençoou essa pouca quantidade e fez a multiplicação a fim de que ela tivesse os recursos que precisava para comprar sua comida, ela começou com pouco e terminou com muito, Deus nos dá na medida que precisamos e conforme confiamos nele, nunca antes. Uma vez ouvi uma pregadora que disse que Deus quer de nós uma parceria, ele caminha até a metade do caminho em nossa direção e nós temos que andar a outra metade, Ele nos dará o que precisamos na medida que precisamos, e nunca nos deixará na mão.


Vamos nessa parceria!!


SOLI DEO GLORIA!!!

A mudança nos fará crescer

Conforme os anos vão passando nós seres humanos vamos sendo moldados, aprendemos muitas coisas ao longo de nossas vidas, algumas coisas aprendemos apenas pela observação.

Uma coisa interessante que aprendemos dessas forma é a conhecer as pessoas, com apenas um olhar conseguimos identificar algumas características de uma pessoa, é lógico que isso não é uma ciência nem tampouco exata, mas em grande parte das vezes funciona mesmo. Algum especialista diria que a forma de se vestir, que a forma de gesticular ou até a forma de andar falam muito a respeito de uma pessoa, há pessoas que só de olhar você já sabe um pouco delas, isso já me aconteceu várias vezes, mas em uma em especial foi como uma ciência exata, eu bati o olho na pessoa e disse: Essa pessoa quer ser cacique e não índio nessa tribo. Isso foi numa igreja, ela simplesmente queria porque queria que o pastor, que deveria ser o cacique, fizesse a sua vontade, ou seja que a igreja fosse o que ela desejava como igreja e movia céus e terras para isso. Usava de um jeito amável para conquistar as pessoas e assim alcançar seus objetivos para o Reino de Deus. Um pastor disse uma vez que a ovelha mais difícil de se pastorear é o que ele chama de vocacionado frustrado, ou seja alguém que uma vez chamado por Deus para um ministério não assume essa posição. Pois bem, nessa minha experiência essa pessoa cercava-se de um verdadeiro batalhão de choque e ditava as regras para que o pastor dirigisse a igreja, isso logicamente é um absurdo uma total inversão de valores no meio da igreja, e o pior de tudo, tudo isso baseado em uma série de (pre)textos bíblicos. Nesse ponto a igreja ficou estagnada, não crescia nem fechava ou se dividia, mas também não se desenvolvia, e como se diz na visão da igreja com propósitos a igreja é um organismo vivo e como tal deve crescer, e se não cresce está doente.

Nessa conjuntura, podemos identificar dois personagens chaves a pessoa que deseja que sua vontade seja feita a qualquer preço e o pastor de caráter fraco que se deixa dominar pelos seus liderados.

No primeiro polo temos a pessoa que deseja ser atendida. Na verdade isso é algo até certo ponto normal, afinal quem não quer ter as coisas segundo a sua vontade, mas na nossa situação isso revela um problema mais profundo, pessoas dominadoras fazem isso sem sentir, e não notam que machucam e alguns casos até destroem vidas pelas suas atitudes. Esse tipo de pessoa precisa de ajuda para controlar seus impulsos de dominação, na verdade são pessoas doentes que precisam ser amadas e cuidadas mas também precisam ser confrontadas a bem da comunidade e até delas mesmas, ninguém consegue sempre o que quer, quem tem filhos que o diga há momentos de dizer sim, mas há muitos momentos de dizer não e as vezes até de uma forma mais dura, tudo isso é aprendizado, como disse no início do texto na vida estamos sempre aprendendo algo novo, a diferença é que a criança está com sua mente receptiva a isso e o adulto infelizmente nem sempre está.

No segundo polo temos esse pastor, líder que se deixa dominar, na verdade quando comecei a escrever era sobre este que eu queria falar mas se fazia necessária toda essa ambientação. Pois é, o que leva um pastor/líder a se deixar dominar mesmo tendo em seu coração que está indo para o lado errado? Na verdade é muito difícil dar uma resposta exata, posso apenas destacar um ponto.

Pude identificar como motivo dessa atitude do pastor, o fato dele ter medo, sim medo, medo de ficar só, de ser abandonado. Pode parecer loucura mas muitos pastores tem extremo medo disso, é claro que isso não é tão aparente mas num olhar mais apurado isso se torna visível. O pastor leva sobre os ombros um peso de responsabilidade enorme, ser o líder de uma igreja não é fácil, há muita coisa em jogo e a verdade é que ninguém quer entrar numa luta dessas sozinho, toda a ajuda é bem vinda. É aí que mora o perigo, o pastor é o responsável pela visão de Deus para aquela comunidade, e levar a cabo a visão de Deus é uma tarefa difícil, a bíblia está recheada de estórias de pessoas que sofreram por tornar reais as visões que Deus os deu, e na sua maioria pelo menos em algum momento eles ficaram sozinhos. É fato que o ser humano é avesso a mudanças, mas também é fato que todo nosso relacionamento com Deus é baseado na mudança, sem mudança de vida é impossível ao homem relacionar-se com Deus.

Pois então esse pastor com medo de ficar só, cai no pior erro, o de deixar de depender exclusivamente de Deus, ele se esquece que o plano de Deus sempre será realizado mesmo que seja da forma mais estranha aos nossos olhos. No livro de Ester seu tio Mardoqueu disse que ela deveria intervir em favor dos judeus ao rei, seu marido, e ela meio que tentou tirar o corpo fora, então Mardoqueu disse: Porque, se de todo te calares neste tempo, socorro e livramento de outra parte sairá para os judeus, ele quis dizer que o plano de Deus não seria frustrado, mesmo que ela se calasse, essa passagem se encontra em Ester 4, de fato os planos de Deus nunca serão frustrados a Bíblia também diz que as pedras clamarão( Lucas 19.40), e o que dizer da mula de Balaão(Números 22.23), quero dizer que deve-se ter em mente que Deus fará a sua obra mesmo que todos a abandonem. Se o líder está verdadeiramente no centro da vontade de Deus, não importa se esteja sozinho ele seguirá segundo a visão de Deus. Na verdade nem sempre os que estão ao nosso lado são os que Deus usará para realizar seu projeto, precisamos entender que nem todos temos o mesmo rumo dentro da obra de Deus, em alguns momentos devemos nos separar para fazer a obra, não falo de divisão e brigas, mas sim de realizar o propósito de Deus na vida de cada um. Não há motivo para se ter medo de ficar só, afinal Deus sempre estará ao nosso lado, se fazemos a sua vontade, precisamos ser maduros para falar o que precisa ser dito e fazer o que tem de ser feito, tudo isso com vistas ao que Deus quer de cada um de nós.

Já vi muitos líderes que se calam, e dizem que ao pastor não cabe se quer pensar se uma pessoa deve ou não estar numa determinada comunidade se ali está ali deve ser mantido, creio que isso é um erro, acredito que se o líder nota que uma pessoa não tem a mesma visão do grupo ele deve ajudá-lo e incentivá-lo a encontrar seu lugar no Reino mesmo que não venham a caminhar juntos, note-se que não digo que seja deixado pra trás, mas sim que ele seja útil onde ele pode ser útil de forma plena, gerando com isso um crescimento do Reino e da vida espiritual das duas pessoas, pois estarão felizes servindo ao mesmo Senhor de uma forma pura.

Mas para chegarmos a esse ponto é preciso muita maturidade, de todos os envolvidos, e é isso que Paulo nos ensina dizendo que quando menino pensava e agia como menino mas quando se fez grande deixou as coisas de menino, em I aos Coríntios 13.11. precisamos deixar de ser crianças mimadas dentro das igrejas, precisamos crescer como pessoas, precisamos aprender a ouvir e a falar o que pensamos, precisamos nos preocupar em sermos plenamente úteis onde quer que estejamos, se não somos úteis devemos parar para pensar em como ser, e se for preciso mudar, como dito acima nosso relacionamento com Deus é baseado na mudança, não tenhamos medo a mudança nos fa crescer.

E o líder tem mais uma coisa com que se preocupar, na verdade ele dará contas a Deus de seu ministério e se ele se deixa levar por qualquer coisa que não seja a vontade de Deus, isso lhe será cobrado.

Todos temos nossa responsabilidade no Reino, responsabilidade de sermos usados por Deus então não podemos ser geradores de dificuldades para os líderes nem líderes manipulados por liderados, devemos trabalhar em união com vistas ao crescimento do Reino, cada um na sua posição correta, com respeito uns com os outros e principalmente sendo maduros.

Que Deus nos faça entender nossa posição e também onde estamos deixando a desejar, e todos sejamos usados intensamente por Deus.

SOLI DEO GLORIA!!!

quarta-feira, 18 de março de 2009

O que Deus quer do ser humano.

Tenho lido muitas experiências nos últimos dias que tem me feito pensar muito neste assunto. Experiências de pessoas que se dispuseram a fazer a vontade de Deus, das formas mais variadas, seja pregando a palavra cuidando de doentes, sendo voluntários em obras sociais, etc. Li testemunhos, vi pessoas fazendo coisas, e isso tudo se tornou como que se fosse uma goteira caindo em minha cabeça, tipo máquina de tortura chinesa, algo que tem me incomodado profundamente. Essa situação tem me levado a pensar no que Deus realmente quer de cada pessoa.
 
No evangelho de João capitulo 10 versículo 10 Jesus diz: "O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância". 

Jesus faz um paralelo, de um lado o ladrão do outro Ele mesmo. Quem seria o ladrão? Cada um pode tirar suas próprias conclusões. Hoje vivemos numa sociedade onde há ladrões em todos os níveis de nossa sociedade, estamos cansados de ver isso todos os dias na TV, nos jornais e nas ruas. Vemos tantos crimes bárbaros que até nos assustam, me lembro quando eu vi a reportagem de uma jovem do Paraná que estava com seu namorado, numa trilha para uma praia, o namorado foi morto e ela levou um tiro e ficou paraplégica, ela sangrando sem sentir mais as pernas viu o agressor voltar e abusar dela, quando eu vi isso pela TV, isso me comoveu e eu chorei por ver a que ponto chega a maldade numa pessoa. Assim também nesse caso do pai que abusou da filha por 24 anos na Áustria. 

Vidas tem sido destruídas e nós muitas vezes nem nos damos conta disso, a TV tem mostrado tanta desgraça que já nos acostumamos, muitos se tornam insensíveis. 

Mas do outro lado está Jesus com uma proposta diferente, não uma proposta de morte, mas uma proposta de vida. Só isso já seria maravilhoso, essa vida que Ele nos oferece não é uma vida terrestre, mas uma vida que começa aqui, hoje e continua pela eternidade. O falecido deputado Clodovil Hernandes em uma entrevista quando da morte de Elis Regina, disse a seguinte frase: "É uma pena que o ser humano foi criado para morrer e não para viver". Isso não é verdade! Todo ser humano foi criado para a vida, e vida eterna, quando morremos continuamos a viver eternamente ou ao lado de Deus ou em um lugar não muito agradável, lugar de dor como é descrito por Jesus em Mateus 13:49-50: "Assim será na consumação dos séculos: virão os anjos, e separarão os maus de entre os justos,
E lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá pranto e ranger de dentes."

No entanto, o que mais me chamou a atenção foi uma palavra, abundância. Partindo daí comecei a pensar no que Ele queria dizer com a palavra abundância, no dicionário Aurélio alguns dos significados são: grande quantidade, excesso, exagero, dentre outros. Bom e aí? O que Jesus quer de nós? O que uma coisa tem a ver com a outra? O que tem a ver pessoas fazendo coisas para outras em nome de Jesus, e esse texto que fala de abundância? 

TUDO!! Se Ele nos prometeu abundância, é que quando temos abundância podemos compartilhar com outros. Na casa de minha avó em Itaboraí havia um poço que vivia transbordando dia e noite, a água nunca acabava. Precisamos ser como esse poço, transbordar aquilo que temos em abundância na nossa vida, ou seja o amor. 

A essência da mensagem de Jesus é o amor, isso pode ser visualizado em todo o evangelho, Ele demonstrava amor por onde quer que passasse, Ele demonstrava às pessoas o que Ele tinha em abundância, amor, o amor do próprio Deus se demostrando ao mundo.

Quando temos Jesus em nossa vida, esse mesmo amor vem como efeito colateral, somos cheios de amor, nosso problema é que muitas vezes estamos tão desacostumados em amar que travamos esse amor e nos fechamos em nós mesmos, não fazendo aquilo que devemos. Assim como Jesus precisamos fazer diferença onde estamos, cada um de nós tem a obrigação de amar o próximo. E ponto final. Leia Mateus 22:36-39:

"Mestre, qual é o grande mandamento na lei? E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo."

E também I João 4:20,21:

"Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? E dele temos este mandamento: que quem ama a Deus, ame também a seu irmão."

Bom essa é a situação, as palavras de Jesus já dizem tudo. Então o que Deus quer dos seres humanos? Amar uns aos outros, simples assim. Agora, o amor se traduz em gestos, em atitudes, não é feito só de palavras, tem de haver ação. Se você ama o outro como a si mesmo, buscará proporcionar ao outro o que quer para si, quantas pessoas morrendo sem esperança, sem alguem que se importe com elas, com o que elas sentem.

O povo de Deus precisa fazer diferença, precisa sair de dentro dos templos, sair dos dogmas, sair da religião e ir de encontro as pessoas, ir onde elas estão e como elas estão, e apresentar-lhes uma alternativa um caminho mais alto, o mundo precisa se encontrar com Deus e é nossa responsabilidade fazer isso, estamos dentro da igreja aos domingos, pela manhã e a noite às quartas-feiras, mas quando estamos lá fora transbordando esse amor, aos que não tem esperança? inundando o mundo com o amor de Deus.

Esse é o nosso papel. Não precisamos de teoria, precisamos praticar o amor. E ver Deus mudando as vidas. Só isso.

sábado, 14 de março de 2009

O caso Moshê

Por Zev Roth

Em Jerusalém

Em agosto de 2001, Moshê (nome fictício), um bem sucedido empresário judeu-americano, viajou para Israel a negócios.

Na quinta feira, dia nove, entre uma reunião e outra, o empresário aproveitou para ir fazer um lanche rápido em uma pizzaria na esquina das ruas Yafo e Mêlech George, centro de Jerusalém.

O estabelecimento estava superlotado. Logo ao entrar na pizzaria, Moshê percebeu que teria que esperar muito tempo numa enorme fila, se realmente desejasse comer alguma coisa - mas ele não dispunha tanto tempo.

Indeciso e impaciente, pôs-se a ziguezaguear por perto do balcão de pedidos, esperando que alguma solução caísse do céu.

Percebendo a angústia do estrangeiro, um israelense perguntou-lhe se ele aceitaria entrar na fila na sua frente. Mais do que agradecido, Moshê aceitou. Fez seu pedido, comeu rapidamente e saiu em direção à sua próxima reunião.

Homem-bomba

Menos de dois minutos após ter saído, ele ouviu um estrondo aterrorizador. Assustado, perguntou a um rapaz que vinha pelo mesmo caminho que ele acabara de percorrer o que acontecera. O jovem disse que um homem-bomba acabara de detonar uma bomba na pizzaria Sbarro`s…

Moshê ficou branco. Por apenas dois minutos ele escapara do atentado. Imediatamente lembrou do homem israelense que lhe oferecera o lugar na fila. Certamente ele ainda estava na pizzaria.

Aquele sujeito salvara a sua vida e agora poderia estar morto.

Atemorizado, correu para o local do atentado para verificar se aquele homem necessitava de ajuda. Mas encontrou uma situação caótica no local.

A Jihad Islâmica enchera a bomba do suicida com milhares de pregos para aumentar seu poder destrutivo. Além do terrorista, de vinte e três anos, outras dezoito pessoas morreram, dos quais seis eram crianças. Cerca de outras noventa pessoas ficaram feridas, algumas em condições críticas.

As cadeiras do restaurante estavam espalhadas pela calçada. Pessoas gritavam e acotovelavam-se na rua, algumas em pânico, outras tentando ajudar de alguma forma. Entre feridos e mortos estendidos pelo chão, vítimas ensangüentadas eram socorridas por policiais e voluntários. Uma mulher com um bebê coberto de sangue implorava por ajuda. Um dispositivo explosivo adicional montado pelos terroristas já estava sendo desmontado pelo exército.

Moshê procurou seu "salvador" entre as sirenes sem fim, mas não conseguiu encontrá-lo.

Ele decidiu que tentaria de todas as formas saber o que acontecera com o israelense que lhe salvara a vida. Moshê estava vivo por causa dele.

Precisava saber o que acontecera, se ele precisava de alguma ajuda e, acima de tudo, agradecer-lhe por sua vida.

O senso de gratidão fez com que esquecesse da importante reunião que o aguardava.

Ele começou a percorrer os hospitais da região, para onde tinham sido levados os feridos no atentado.

Finalmente encontrou o israelense num leito de um dos hospitais. Ele estava ferido, mas não corria risco de vida.

Moshê conversou com o filho daquele homem, que já estava acompanhando seu pai, e contou tudo o que acontecera. Disse que faria tudo que fosse preciso por ele. Que estava extremamente grato àquele homem e que lhe devia sua vida. Depois de alguns momentos, Moshê se despediu do rapaz e deixou seu cartão com ele. Caso seu pai necessitasse de qualquer tipo de ajuda, o jovem não deveria hesitar em comunicá-lo.

Em Nova Iorque

Quase um mês depois, Moshê recebeu um telefonema em seu escritório em Nova Iorque daquele rapaz, contando que seu pai precisava de uma operação de emergência. Segundo especialistas, o melhor hospital para fazer aquela delicada cirurgia fica em Boston, Massachussets.

Moshê não hesitou. Arrumou tudo para que a cirurgia fosse realizada dentro de poucos dias. Além disso, fez questão de ir pessoalmente receber e acompanhar seu amigo em Boston, que fica a uma hora de avião de Nova Iorque.

Talvez outra pessoa não tivesse feito tantos esforços apenas pelo senso de gratidão. Outra pessoa poderia ter dito "Afinal, ele não teve intenção de salvar a minha vida: apenas me ofereceu um lugar na fila."

Mas não Moshê. Ele se sentia profundamente grato, mesmo um mês após o atentado. E ele sabia como retribuir um favor.

Salvo pela segunda vez

Naquela manhã de terça-feira, Moshê foi pessoalmente acompanhar seu amigo - e deixou de ir trabalhar. Sendo assim, pouco antes das nove horas da manhã, naquele dia onze de setembro de 2001, Moshê não estava no seu escritório no 101º andar do World Trade Center.


Notas
1. Matéria publicada originalmente pela Targum Press, em 2002.
2. Conteúdo relatado em palestra pelo Rabino Issocher Frand.
3. Fonte: World's Observatory