Conforme os anos vão passando nós seres humanos vamos sendo moldados, aprendemos muitas coisas ao longo de nossas vidas, algumas coisas aprendemos apenas pela observação.
Uma coisa interessante que aprendemos dessas forma é a conhecer as pessoas, com apenas um olhar conseguimos identificar algumas características de uma pessoa, é lógico que isso não é uma ciência nem tampouco exata, mas em grande parte das vezes funciona mesmo. Algum especialista diria que a forma de se vestir, que a forma de gesticular ou até a forma de andar falam muito a respeito de uma pessoa, há pessoas que só de olhar você já sabe um pouco delas, isso já me aconteceu várias vezes, mas em uma em especial foi como uma ciência exata, eu bati o olho na pessoa e disse: Essa pessoa quer ser cacique e não índio nessa tribo. Isso foi numa igreja, ela simplesmente queria porque queria que o pastor, que deveria ser o cacique, fizesse a sua vontade, ou seja que a igreja fosse o que ela desejava como igreja e movia céus e terras para isso. Usava de um jeito amável para conquistar as pessoas e assim alcançar seus objetivos para o Reino de Deus. Um pastor disse uma vez que a ovelha mais difícil de se pastorear é o que ele chama de vocacionado frustrado, ou seja alguém que uma vez chamado por Deus para um ministério não assume essa posição. Pois bem, nessa minha experiência essa pessoa cercava-se de um verdadeiro batalhão de choque e ditava as regras para que o pastor dirigisse a igreja, isso logicamente é um absurdo uma total inversão de valores no meio da igreja, e o pior de tudo, tudo isso baseado em uma série de (pre)textos bíblicos. Nesse ponto a igreja ficou estagnada, não crescia nem fechava ou se dividia, mas também não se desenvolvia, e como se diz na visão da igreja com propósitos a igreja é um organismo vivo e como tal deve crescer, e se não cresce está doente.
Nessa conjuntura, podemos identificar dois personagens chaves a pessoa que deseja que sua vontade seja feita a qualquer preço e o pastor de caráter fraco que se deixa dominar pelos seus liderados.
No primeiro polo temos a pessoa que deseja ser atendida. Na verdade isso é algo até certo ponto normal, afinal quem não quer ter as coisas segundo a sua vontade, mas na nossa situação isso revela um problema mais profundo, pessoas dominadoras fazem isso sem sentir, e não notam que machucam e alguns casos até destroem vidas pelas suas atitudes. Esse tipo de pessoa precisa de ajuda para controlar seus impulsos de dominação, na verdade são pessoas doentes que precisam ser amadas e cuidadas mas também precisam ser confrontadas a bem da comunidade e até delas mesmas, ninguém consegue sempre o que quer, quem tem filhos que o diga há momentos de dizer sim, mas há muitos momentos de dizer não e as vezes até de uma forma mais dura, tudo isso é aprendizado, como disse no início do texto na vida estamos sempre aprendendo algo novo, a diferença é que a criança está com sua mente receptiva a isso e o adulto infelizmente nem sempre está.
No segundo polo temos esse pastor, líder que se deixa dominar, na verdade quando comecei a escrever era sobre este que eu queria falar mas se fazia necessária toda essa ambientação. Pois é, o que leva um pastor/líder a se deixar dominar mesmo tendo em seu coração que está indo para o lado errado? Na verdade é muito difícil dar uma resposta exata, posso apenas destacar um ponto.
Pude identificar como motivo dessa atitude do pastor, o fato dele ter medo, sim medo, medo de ficar só, de ser abandonado. Pode parecer loucura mas muitos pastores tem extremo medo disso, é claro que isso não é tão aparente mas num olhar mais apurado isso se torna visível. O pastor leva sobre os ombros um peso de responsabilidade enorme, ser o líder de uma igreja não é fácil, há muita coisa em jogo e a verdade é que ninguém quer entrar numa luta dessas sozinho, toda a ajuda é bem vinda. É aí que mora o perigo, o pastor é o responsável pela visão de Deus para aquela comunidade, e levar a cabo a visão de Deus é uma tarefa difícil, a bíblia está recheada de estórias de pessoas que sofreram por tornar reais as visões que Deus os deu, e na sua maioria pelo menos em algum momento eles ficaram sozinhos. É fato que o ser humano é avesso a mudanças, mas também é fato que todo nosso relacionamento com Deus é baseado na mudança, sem mudança de vida é impossível ao homem relacionar-se com Deus.
Pois então esse pastor com medo de ficar só, cai no pior erro, o de deixar de depender exclusivamente de Deus, ele se esquece que o plano de Deus sempre será realizado mesmo que seja da forma mais estranha aos nossos olhos. No livro de Ester seu tio Mardoqueu disse que ela deveria intervir em favor dos judeus ao rei, seu marido, e ela meio que tentou tirar o corpo fora, então Mardoqueu disse: Porque, se de todo te calares neste tempo, socorro e livramento de outra parte sairá para os judeus, ele quis dizer que o plano de Deus não seria frustrado, mesmo que ela se calasse, essa passagem se encontra em Ester 4, de fato os planos de Deus nunca serão frustrados a Bíblia também diz que as pedras clamarão( Lucas 19.40), e o que dizer da mula de Balaão(Números 22.23), quero dizer que deve-se ter em mente que Deus fará a sua obra mesmo que todos a abandonem. Se o líder está verdadeiramente no centro da vontade de Deus, não importa se esteja sozinho ele seguirá segundo a visão de Deus. Na verdade nem sempre os que estão ao nosso lado são os que Deus usará para realizar seu projeto, precisamos entender que nem todos temos o mesmo rumo dentro da obra de Deus, em alguns momentos devemos nos separar para fazer a obra, não falo de divisão e brigas, mas sim de realizar o propósito de Deus na vida de cada um. Não há motivo para se ter medo de ficar só, afinal Deus sempre estará ao nosso lado, se fazemos a sua vontade, precisamos ser maduros para falar o que precisa ser dito e fazer o que tem de ser feito, tudo isso com vistas ao que Deus quer de cada um de nós.
Já vi muitos líderes que se calam, e dizem que ao pastor não cabe se quer pensar se uma pessoa deve ou não estar numa determinada comunidade se ali está ali deve ser mantido, creio que isso é um erro, acredito que se o líder nota que uma pessoa não tem a mesma visão do grupo ele deve ajudá-lo e incentivá-lo a encontrar seu lugar no Reino mesmo que não venham a caminhar juntos, note-se que não digo que seja deixado pra trás, mas sim que ele seja útil onde ele pode ser útil de forma plena, gerando com isso um crescimento do Reino e da vida espiritual das duas pessoas, pois estarão felizes servindo ao mesmo Senhor de uma forma pura.
Mas para chegarmos a esse ponto é preciso muita maturidade, de todos os envolvidos, e é isso que Paulo nos ensina dizendo que quando menino pensava e agia como menino mas quando se fez grande deixou as coisas de menino, em I aos Coríntios 13.11. precisamos deixar de ser crianças mimadas dentro das igrejas, precisamos crescer como pessoas, precisamos aprender a ouvir e a falar o que pensamos, precisamos nos preocupar em sermos plenamente úteis onde quer que estejamos, se não somos úteis devemos parar para pensar em como ser, e se for preciso mudar, como dito acima nosso relacionamento com Deus é baseado na mudança, não tenhamos medo a mudança nos fará crescer.
E o líder tem mais uma coisa com que se preocupar, na verdade ele dará contas a Deus de seu ministério e se ele se deixa levar por qualquer coisa que não seja a vontade de Deus, isso lhe será cobrado.
Todos temos nossa responsabilidade no Reino, responsabilidade de sermos usados por Deus então não podemos ser geradores de dificuldades para os líderes nem líderes manipulados por liderados, devemos trabalhar em união com vistas ao crescimento do Reino, cada um na sua posição correta, com respeito uns com os outros e principalmente sendo maduros.
Que Deus nos faça entender nossa posição e também onde estamos deixando a desejar, e todos sejamos usados intensamente por Deus.
SOLI DEO GLORIA!!!